domingo, 10 de março de 2013

Sarafina! - O filme


Hoje assisti 'Sarafina!'. Depois de anos procurando esse filme, e sem êxito algum, tive a felicidade de ganhar essa raridade de um amigo cinéfilo.
Sinceramente, confesso que já tinha desistido desse filme. Eu estava nessa busca desde a minha adolescência. Imaginem... Mas, para a minha surpresa e felicidade, depois de falar com o Rodrigo, consegui essa proeza.
Que filme lindo e tocante. Lindo pela excelente representação dos ideais e força daqueles sulistas. E a música... Cheia de sonhos, e adornadas com gritos da alma. Arrepiante!


Me tocou muito a parte em que Sarafina conversa com a sua mãe sobre o heroísmo. Não faz parte da ideia central do filme, mas é algo me marcou e gostaria de compartilhar aqui. Esse diálogo traz as mesmas ideias de Ernest Becker no livro que estou lendo, 'A negação da morte'. Tem um capítulo em que ele, Ernest, fala sobre o heroísmo... A coisa mais linda... E de um ponto de vista fundante! 


No filme, Sarafina fala com a mãe reconhecendo o heroísmo dela, que sobrevivia apesar de todas as dificuldades sem se degenerar; que apesar de tudo, não tinha deixado de lutar... E dia após dia, ela estava lá... Trabalhando para ganhar a vida, e garantindo assim a sobrevivência de sua família. Acho espetacular esse reconhecimento pelo heroico, só que reconhecido por outras vias. Porque o natural é vermos como herói aquele que faz algo extraordinário, fora do comum, e vai pra o noticiário. O pai de Sarafina, por ter morrido lutando, ao contrário da mãe que vivia uma vida meio que de resignação, era visto pela filha como herói. Mas a mãe dela tinha motivos maiores para se resignar... O pai já tinha morrido em função da causa que eles lutavam, e depois restava ela que já tinha a tragédia do marido como lição, e não podia continuar nessa sequência. 


Lindo, lindo quando após Sarafina ter passado por um pouco do que o pai passou, e ver sua vida quase sendo assaltada, reconhecer o heroísmo da sua mãe, dizendo que tantos tem uma canção e a mãe dela, heroína que era, também era digna de uma. E é isso... O heroísmo está fortemente no nosso cotidiano, no ordinário. Muitas vezes naquela paciência difícil de ter, e a gente tem que ter; naquela pessoa que luta todos os dias contra um mal; naquela pessoa que todos os dias cuida de um doente, enfim... Há tantos heróis nesse nosso mundo, e no anonimato. E muitos que só Deus o sabem.
Esse não é o assunto principal do filme, que retrata o Apartheid, inclusive exatamente na época em que Nelson Mandela se encontrava preso, mas é uma parte que me chamou muito a atenção, e me fez fazer esse link com o livro que estou lendo.


Super recomendo! Com certeza esse é um filme lindo e sensacional. 


Um espetáculo!

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